Por Luciana de Oliveira Vilanova Chueri e João Marques Rosa Neto
1. Introdução
Segundo Teixeira Filho em (SILVA,2007), alguns estudos mostraram que o conhecimento tácito ainda é transferido melhor durante comunicação frente-a-frente e que de 50 a 95% do conhecimento transferido (explícito e tácito) acontece por comunicação oral. Mas o ambiente de negócios global, veloz e móvel, deixa relativamente pouco tempo para o contato presencial. Dessa forma, as comunidades de práticas assumem um papel fundamental na manutenção da vantagem competitiva das empresas modernas.
2.Conceito de Comunidades de Práticas.
O termo Comunidade de Prática (Community of Practice – CoP) surgiu a partir de um estudo realizado por Etienne Wenger e Jean Lave sobre modelos de aprendizagem. Segundo Wenger (WENGER, 2009), uma Comunidade de Prática (Community of Practice – CoP) é um grupo de pessoas que compartilham um interesse, um problema que enfrentam regularmente, e que se unem para desenvolver conhecimento de forma a criar uma prática em torno desse tópico.
3. Elementos Componentes de uma Comunidade de Práticas
Para uma comunidade ser considerada uma “Comunidade de Práticas”, a mesma deve possuir os seguintes três elementos, obrigatoriamente (WENGER, 2009):
- O domínio: representa uma identidade, um domínio de interesse. Os membros de uma comunidade possuem um compromisso com o domínio e compartilham uma competência que os distingue de outras pessoas que não são membros da comunidade.
- A comunidade: Para atender aos interesses relacionados a seu domínio, os membros participam de atividades e discussões em conjunto, ajudam uns aos outros e compartilham informação. São construídos relacionamentos que permitem que um membro aprenda com o outro. Além disso, não é necessário que todos os membros se conheçam diretamente ou trabalhem diariamente juntos para participar de uma mesma comunidade.
- A prática: Uma comunidade de práticas não é meramente uma comunidade de interessados sobre um assunto e sim de pessoas que trabalham com um assunto. Por exemplo, não é uma comunidade de pessoas que gostam de pintura e sim de pintores. Desta forma diz-se que os membros de uma Comunidade de Prática são os praticantes de um determinado assunto. Consequentemente, eles trocam histórias, experiências, ferramentas, formas de resolução de problemas, e outros recursos viabilizando a geração de práticas compartilhadas.
O desenvolvimento destes três itens em paralelo é o que mantém uma comunidade ativa e sustentável.
4. Motivação no uso de Comunidades de Práticas.
Segundo estudos realizados pela APQC (APQC, 2008) as Comunidades de Práticas estão assumindo um papel-chave na gestão do conhecimento das organizações. Isto ocorre por elas transcederem fronteiras criadas por estruturas hierárquicas, funções, aspectos geográficos e tempo. Nas organizações modernas, globais e baseadas no conhecimento, as comunidades viabilizam um ambiente de geração de conhecimento que flui por todas estas fronteiras.
A criação de uma Comunidade de Práticas viabiliza um meio através do qual é proporcionado à empresa a retenção do conhecimento, a troca de conhecimentos entre os mais experientes e mais jovens, o fortalecimento das redes entre os profissionais. Com isto, a empresa passa a ter economia de tempo e recursos, além de possibilitar uma melhoria contínua na qualidade dos seus processos.
Apesar da quantificação dos benefícios relacionados à utilização de Comunidades de Práticas não ser realizada na maior parte das empresas, são descritos a seguir alguns resultados positivos reportados por empresas do setor de Óleo & Gás (KOENIG, 2004):
· Chevron Corporation reportou que a utilização de Comunidades de Práticas resultou em uma redução de US$ 2 bilhões em custos operacionais;
· Schlumberger utilizou uma combinação de Comunidades de Práticas e obteve uma economia de US$ 10 milhões em um ano de atividade;
5. Conclusões
É importante observar que as comunidades de práticas sempre fizeram parte das organizações, só que de maneira informal. Um dos aspectos que reforça a necessidade desta formalização de conhecimento é o fato de hoje em dia haver uma alta rotatividade de recursos humanos nas empresas e de que, quando uma pessoa sai de uma empresa (por motivos diversos, desde sua aposentadoria até uma busca de oportunidade em outra organização), o conhecimento muitas vezes é perdido.
Como o tema relacionado à Comunidade de Práticas é muito extenso para um post, optamos por dividir o assunto por partes, a saber:
- Implantação de uma Comunidade de Práticas (parte 2 deste artigo)
- Fatores Críticos de Sucesso na Implantação de uma Comunidade de Práticas (parte 3 deste artigo)
Referências Bibliográficas
APQC American Productivity & Quality Center. Communities of Practice: Overview. APQC. 2008. Disponível em: <http://kmedge.org/cgi-bin/mt/mt-search.cgi?tag=CoPs&blog_id=1>. Acesso em: 03/12/2008.
CHOO, C. W. The knowing organization: how organizations use information to construct meaning, create knowledge, and make decisions. New York: Oxford University Press. 1998.
KOENIG, MICHAEL D. & SRIKANTAIAH, T. KANTI. (Eds.) ; Knowledge Management – Lessons Learned: what works and what doesn’t. Medford, NJ: Information Today, Inc., 2004.
SILVA, Ricardo V., Neves A. (Org.); Gestão de Empresas na Era do Conhecimento. Ed Serinews. 2007.
WENGER, ETIENNE. Communities of practice: a brief introduction. Disponível em: <http://www.ewenger.com/theory/>. Acesso em: 03/01/2009.
Ótimo blog e bela matéria!
Me ajudou a conhecer esta ferramenta gerencial, muito útil dentro das empresas. Também a forma didática e científica do artigo passa impressão de propriedade e veracidade das informações.
Parabéns pelo blog e sucesso!
Excelente post!
Realmente um termo novo, mas super inovador e coerente com as atuais iniciativas de gestão do conhecimento. Tem tudo para dar certo.
O blog está cada vez mais antenado, parabéns.
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