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Posts Tagged ‘inferno’

a-sombra-2O caderno de economia do Times noticiou que o grupo proprietário do jornal teve um prejuízo de 74,5 milhões de dólares no primeiro trimestre – decorrente da queda na receita publicitária em papel (28,4%) e na internet (8%).

Os jornais de todo o mundo sentem a conjunção de fatores desfavoráveis: a recessão mundial (que reduz os gastos com publicidade) e o avanço da internet (que suga anúncios, sobretudo os pequenos e rentáveis classificados, e também serve como fonte gratuita de informações).

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Este binômio, recessão-internet, está produzindo uma devastação. No caso do Times a recessão atropelou os seus dois maiores anunciantes (o mercado imobiliário e a indústria automobilística), e a evolução da tecnologia, com seu impacto na disseminação da informação, se dá numa velocidade alucinante no país (o Twitter passou a ser usado por celebridades, e explodiu: captura 8.300 novos adeptos por hora). Somados a estes fatores algumas decisões duvidosas do grupo empresarial. Resultado: Em 2002, o Times valia 5 bilhões de dólares e sua ação, 52 dólares. Hoje, seu valor caiu para 700 milhões e sua ação é negociada por volta dos 4 dólares (preço de sua edição dominical na banca).

 “Vivemos a mais grave crise da história da imprensa“, diz o editor Alan Mutter, autor do blog “Reflections of a Newsosaur” (algo parecido como “Reflexões de um Jornassauro”), em que analisa o impacto das novas tecnologias sobre os jornais.

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Mas se você pensa que o Times “perdeu o time” e não surfou na onda da Internet, você está profundamente enganado. O site do Times (que oferece perfis e gráficos interativos, tem um arquivo com matérias do século XIX, áudio e vídeos de qualidade irretocável – além de oferecer links até para a concorrência), com 20 milhões de visitantes por mês, não se sustenta (o Times gasta 200 milhões de dólares por ano para mandar repórteres para os quatro cantos do planeta).

internacional91O problema é que a febre atual nos EUA (e por que não contextualizar como sendo esta uma febre planetária ?) é o “jornalismo cidadão” – feito por qualquer um que tenha conexão com a internet e seja alfabetizado (ou quase). E isso é perturbador ! Além da qualidade duvidosa esta febre parece ser mais um movimento de marketing pessoal (uma verdadeira corrida ao estrelato – onde todos buscam os seus 15 minutos de fama) do que uma revolução jornalística.

235Não que eu defenda a imprensa escrita (em minha opinião a imprensa escrita está fadada a se extinguir dentro de muito pouco tempo), mas a qualidade da informação é fundamental. E esta é a minha maior preocupação. Explico: O site do Times, com seus 20 milhões de usuários, é o maior site de jornal do mundo. Mas, em média, seus visitantes ficam no site 35 minutos por mês (o equivalente a 1,10 minutos por dia). É como se os internautas passassem numa banca, dessem uma olhada nos títulos expostos e fossem embora. Sem ler nada.

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Enfim, estamos surfando muito, experimentando muitos formatos, processando nas nuvens, etc, mas em contrapartida estamos nos perdendo nas arapucas digitais. A dúvida é: será que um dia este amontoado de copy-paste existente na rede será capaz de produzir conteúdo ? Capaz de construir uma nova geração “pensadores” ? Novas referências ? Novos formadores de opinião ?

 É viver para conferir !

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